Tráfego pago
Lead que não vira venda: por que acontece no tráfego pago e como medir o lead que compra
Por Douglas Lopes · Publicado em
Lead que não vira venda quase nunca é azar: na maioria das contas que eu abro, a causa está em quatro lugares. O anúncio fala com gente de fora da região, o formulário é fácil demais, a medição conta lead que não existe ou o atendimento demora. O conserto começa por medir o lead que compra, não o lead barato.
A reclamação mais comum que escuto de quem já anuncia não é falta de lead. É o contrário: o painel mostra lead chegando, o custo parece bom, e o comercial diz que ninguém compra. Neste artigo explico onde eu procuro a causa quando abro uma conta assim, nas contas de Google Ads e Meta Ads que opero desde 2017, e como passo a medir o lead que vira cliente em vez do lead que só enche a planilha.
Por que o lead do tráfego pago não vira venda?
Antes de culpar o vendedor ou o anúncio, vale lembrar como a plataforma funciona. O Google e a Meta otimizam para o evento que você diz que é conversão. Se a conversão é qualquer formulário enviado, o algoritmo vai buscar quem envia formulário com mais facilidade, e essa pessoa nem sempre é quem compra. A plataforma entrega exatamente o que foi pedido. O problema é que foi pedido a coisa errada.
Por isso eu não começo pela pergunta "o anúncio está bom?". Começo por "o que esta conta chama de lead, e quantos desses leads o comercial considera bons?". Quase sempre a resposta cai numa destas quatro causas, às vezes em mais de uma ao mesmo tempo.
- Lead fora da região: o anúncio aparece para quem mora longe e não vai até a loja ou não está na área de entrega.
- Formulário fácil demais: a pessoa preenche com um toque, sem pensar, e depois nem lembra que pediu contato.
- Medição contando errado: a plataforma registra lead que não existe, ou conta duas vezes o mesmo contato, e o custo parece melhor do que é.
- Atendimento lento ou sem prioridade: o lead bom chega, mas é tratado igual aos outros e esfria antes da primeira conversa.
Lead barato de fora da região
Esta é a causa que mais me surpreendeu nas contas que assumi. Num caso de uma rede de lojas de móveis planejados no interior de São Paulo, o painel mostrava lead a R$ 16,79. Separando os leads pelo DDD do telefone, só 14 de cada 100 eram da região atendida. O custo real por lead da região era R$ 121,39, mais de sete vezes o que o painel dizia.
A origem estava na configuração de localização. O Google Ads tem a opção de mostrar o anúncio para quem "demonstra interesse" pela região, e não só para quem está nela, e a Meta tem expansão automática de público. As duas ajudam a baixar o custo por lead e, em negócio local, trazem gente que nunca vai entrar na loja.
Com o anúncio restrito ao raio de cada loja e a expansão desligada, o custo por lead da região caiu para a faixa de R$ 19 a R$ 44 nas semanas seguintes, e a parte dos leads da região passou de 14% para algo entre 67% e 92%. O lead ficou mais caro no painel e muito mais barato no caixa. Contei esse caso inteiro na página de gestão de tráfego pago.
Teste rápido: pegue os últimos 50 leads e olhe o DDD ou o CEP. Se boa parte é de fora da área que você atende, o problema não é o vendedor.
Formulário fácil demais traz curioso
O formulário nativo do Facebook e do Instagram já vem preenchido com nome, e-mail e telefone do perfil. É ótimo para volume e ruim para intenção: a pessoa toca duas vezes e pronto. A própria Meta oferece tipos de formulário diferentes, um voltado a mais volume e outro a mais intenção, com uma etapa de revisão antes do envio. Para quem vende algo que exige conversa, eu uso o de mais intenção.
O segundo ajuste é fazer perguntas que separam quem quer comprar de quem está só olhando. Não perguntas de cadastro, mas perguntas que mostram tamanho do projeto, prazo e o que a pessoa procura. Cada resposta vale pontos, e o lead sai do formulário com uma nota.
| Pergunta | O que ela revela | Exemplo de resposta que pesa mais |
|---|---|---|
| O que você procura? | Se o produto é o que você vende com margem | O serviço principal, não o item de entrada |
| Para quando? | Urgência da compra | Este mês ou nos próximos 30 dias |
| Qual o tamanho do projeto? | Ticket provável | Ambiente completo, equipe grande, volume alto |
| Onde fica? | Se está na área atendida | Cidade ou bairro dentro do raio |
Nas contas que opero, cada lead recebe uma nota A, B, C ou D numa régua de 0 a 100, e cai numa planilha que atualiza sozinha. Num cliente de móveis planejados, a parte dos leads nota A ou B foi de 17% em agosto para 80% em setembro depois que o formulário passou a perguntar região, tamanho do projeto e contato completo. Quem responde "só pesquisando" não passa de C, por mais completo que seja o resto.
Um cuidado: os pesos das respostas não devem ser chutados. Quando o cliente tem CRM ou uma lista de vendas fechadas, eu meço a taxa de fechamento e o valor de cada tipo de pedido antes de definir os pontos. Sem esse dado, digo claramente qual peso é critério meu e ajusto quando as primeiras vendas aparecem.
A medição pode estar contando lead que não existe
Muita conta que parece ter lead barato tem, na verdade, conversão mal configurada. Os erros que mais encontro são simples de descrever e difíceis de enxergar sem abrir o site e a conta juntos.
- Conversão em visita de página: a tag conta quem abriu a página de obrigado, inclusive quem voltou nela depois ou chegou por outro caminho.
- Evento duplicado: o pixel e a integração pelo servidor mandam o mesmo lead duas vezes, sem chave para a plataforma juntar os dois.
- Clique no botão como lead: clicar em "falar no WhatsApp" é contado como lead, mesmo que a pessoa feche a conversa sem mandar nada.
- Mudança no site sem aviso: o formulário muda de lugar ou ganha um campo novo, e a taxa de lead por clique cai num único dia. Isso é mudança no site, não desgaste do anúncio.
Já vi um conjunto ficar dias no ar porque o pixel registrava dois leads, enquanto a planilha mostrava um só, e com nota baixa. A regra que sigo hoje: quando a plataforma e a planilha discordam, vale a planilha. Expliquei por que a medição vem antes da verba no artigo sobre o que é gestão de tráfego.
O lead bom esfria no atendimento
Mesmo com região certa e formulário bom, parte da venda se perde entre o lead chegar e alguém ligar. Não tenho um número próprio para dizer quanto se perde por hora de demora, e não vou inventar um. O que vejo na prática é que o comercial que recebe uma lista sem ordem chama todo mundo igual, e o lead nota A espera junto com o curioso.
A nota resolve parte disso, porque diz quem chamar primeiro. A outra parte é o caminho do lead: nas contas com loja física, cada unidade tem o próprio formulário, e o botão final leva direto para o WhatsApp do vendedor daquela loja. A pessoa já sai do anúncio falando com quem pode atender.
Como medir o lead que compra, e não só o lead barato?
O custo por lead é uma métrica de meio. A métrica que interessa é o custo por lead bom, e depois o custo por venda. Eu meço em três degraus, e cada degrau exige um pouco mais de organização do lado do cliente.
- Custo por lead qualificado: divido o gasto de cada anúncio só pelos leads nota A ou B. É o degrau que já muda decisões na primeira semana.
- Origem de cada contato: UTM em todos os anúncios, para a planilha ou o CRM saber de qual campanha e de qual criativo veio cada lead.
- Venda devolvida à plataforma: quando o lead vira cliente, essa informação volta para o Google Ads ou para a Meta, e a plataforma passa a buscar gente parecida com quem comprou.
O primeiro degrau sozinho já inverte rankings. Numa distribuidora de equipamentos, o formulário perguntava a verba do comprador. Dividindo o gasto só pelos leads com verba compatível, o anúncio ativo com lead a R$ 7,20 custava R$ 38,63 por lead qualificado, e um anúncio que estava pausado, com lead a R$ 4,73, era o melhor da conta, a R$ 18,04 por lead qualificado.
O terceiro degrau é o mais poderoso e o que menos empresas usam. O Google Ads permite importar conversões off-line: você guarda o identificador do clique junto com o lead e, quando a venda fecha, devolve essa informação para a conta. A Meta tem o caminho equivalente pela API de Conversões para CRM, que permite otimizar a campanha de cadastro pelos leads que avançam no funil.
Esse degrau pede que o comercial registre o que aconteceu com cada lead, com data. Sem isso, nenhuma integração resolve. Por isso eu começo pela nota no formulário, que não depende de ninguém atualizar nada, e só depois proponho a volta da venda para a plataforma.
O que fazer esta semana se o seu lead não vira venda
Não precisa refazer a conta inteira para descobrir a causa. Uma checagem curta já aponta onde está o vazamento.
- Olhar o DDD ou o CEP dos últimos 50 leads e contar quantos são da área atendida.
- Abrir o formulário como cliente e ver quantos toques são necessários para enviar.
- Comparar o número de leads da plataforma com o da planilha ou do CRM no mesmo período.
- Perguntar ao comercial quantos leads da última semana tinham intenção real de compra, e de quais anúncios eles vieram.
- Não aumentar a verba até saber a resposta: mais verba numa conta que traz o lead errado só traz mais lead errado.
Se você vai contratar alguém para cuidar disso, pergunte como a pessoa mede o lead bom antes de falar de custo por lead. Separei as perguntas que valem fazer no artigo sobre como contratar um gestor de tráfego. E se quiser que a operação inteira, da medição à nota de cada lead, fique por nossa conta, o serviço está descrito na página de gestão de tráfego pago.
Perguntas frequentes
Por que tenho muitos leads e poucas vendas?+
Na maioria das contas, por um destes motivos: anúncio aparecendo para gente de fora da região, formulário fácil demais que atrai curioso, medição contando lead que não existe ou atendimento que trata todo lead igual. Separar os leads por região e por nota costuma mostrar a causa em poucos dias.
O problema do lead que não converte é do anúncio ou do comercial?+
Pode ser dos dois, e a forma de separar é medir. Se os leads são da região, respondem bem às perguntas do formulário e mesmo assim não compram, o gargalo tende a estar no atendimento. Se boa parte é de fora da área ou responde "só pesquisando", o problema começa no anúncio.
Formulário do Facebook traz lead ruim?+
Traz lead de baixa intenção quando é configurado para volume e só pede os dados do perfil. Com o tipo de formulário de mais intenção, que tem etapa de revisão, e perguntas que pontuam prazo, tamanho e região, o mesmo formulário passa a separar quem quer comprar de quem está olhando.
Como saber qual anúncio traz o lead que compra?+
Colocando UTM em todos os anúncios, para cada lead chegar com a origem registrada, e dividindo o gasto de cada anúncio só pelos leads bons. O passo seguinte é devolver a venda para o Google Ads ou para a Meta, pela importação de conversões off-line ou pela API de Conversões.
Devo aumentar a verba se o lead não está virando venda?+
Não antes de saber a causa. Se a conta traz lead de fora da região ou de baixa intenção, mais verba só aumenta a quantidade desse mesmo lead. Primeiro se ajusta região, formulário e medição; a verba sobe depois, quando o custo do lead bom se mantém por alguns dias.
Fontes
Quer que eu olhe a sua conta de anúncios?
Começo pela medição e pelo lead que vira cliente, antes de mexer em verba.
Falar sobre a minha conta