Tráfego pago
Gestor de tráfego Google Ads ou Meta Ads: onde anunciar primeiro
Por Douglas Lopes · Publicado em
Para decidir entre um gestor de tráfego Google Ads ou Meta Ads, comece pela pergunta: as pessoas já procuram o que você vende? Se procuram, o Google costuma ser o primeiro passo, porque o anúncio aparece para quem já tem a necessidade. Se ninguém busca, a Meta vem antes, porque cria o interesse. Com verba para as duas, o Google pega a demanda e a Meta alimenta.
Uma das perguntas que mais escuto de quem vai começar a anunciar é se deve contratar alguém para o Google ou para o Instagram. A resposta curta é que as duas plataformas fazem trabalhos diferentes, e a escolha depende mais do seu produto do que da plataforma. Neste artigo explico como eu decido por onde começar nas contas que opero desde 2017, e quais erros de configuração fazem cada uma parecer pior do que é.
Qual a diferença entre Google Ads e Meta Ads?
No Google Ads, o anúncio de Pesquisa aparece quando alguém digita uma busca. A pessoa já tem a necessidade e está procurando quem resolva. O trabalho do gestor é escolher as buscas certas, cortar as erradas e garantir que o anúncio apareça para quem está na região atendida. É uma plataforma que capta uma demanda que já existe.
No Meta Ads, que roda no Facebook e no Instagram, ninguém está procurando nada. A pessoa está rolando o feed e o anúncio interrompe. A plataforma escolhe a quem mostrar com base em quem já converteu, e o criativo precisa prender a atenção nos primeiros segundos. É uma plataforma que cria interesse, e por isso depende muito mais do vídeo ou da imagem do que da segmentação.
| Ponto | Google Ads (Pesquisa) | Meta Ads |
|---|---|---|
| Quem vê o anúncio | Quem buscou o termo agora | Quem a plataforma acha que vai converter |
| O que mais pesa | Palavra-chave, termos negativos e região | Criativo, oferta e formulário |
| Intenção do lead | Alta: já estava procurando | Variável: precisa ser qualificada |
| Volume possível | Limitado ao número de buscas | Maior, porque cria demanda |
| Erro mais comum | Verba vazando para Display e busca errada | Criativo cansado e lead sem filtro |
Por onde começar: Google Ads ou Meta Ads?
Eu faço três perguntas antes de recomendar a primeira plataforma. Elas não dependem de opinião sobre qual rede é melhor; dependem do que o seu cliente faz antes de comprar.
- As pessoas já buscam o que você vende? Serviço de urgência, serviço local, produto com nome conhecido: tem busca, e o Google pega quem já decidiu procurar. Produto novo, que o cliente nem sabe que existe, quase não tem busca, e a Meta vem antes.
- Você tem criativo para testar? A Meta pede vídeos e imagens novos com frequência. Sem material para trocar, a campanha cansa. No Google de Pesquisa, o anúncio é texto, e dá para começar sem produção.
- Quanto tempo leva a decisão de compra? Compra pensada, que passa por pesquisa e comparação, costuma começar no Google. Compra por impulso ou por desejo, como roupa, estética e evento, costuma responder melhor no feed.
Na prática, a maioria dos negócios locais com busca ativa começa pelo Google, e a maioria dos produtos visuais ou de desejo começa pela Meta. Não é regra fixa. Uma clínica pode ter busca forte e ainda assim vender bem pelo Instagram, porque o antes e depois convence. Por isso, quando a verba permite, eu prefiro rodar as duas e deixar o resultado medido decidir onde cresce.
O que faz um gestor de tráfego Google Ads
O gestor de Google Ads passa a maior parte do tempo cuidando de onde o anúncio aparece. Uma campanha de Pesquisa bem montada é organizada por tema e por região, com uma lista de termos negativos que cresce toda semana: concorrente, loja popular, quem quer aprender a fazer sozinho, vaga de emprego. Cada busca errada que entra custa um clique que não vira cliente.
Dois cuidados aparecem em quase toda conta que eu recebo. O primeiro é a Rede de Display. Ao criar uma campanha de Pesquisa pela interface simplificada, a opção de mostrar o anúncio também em sites parceiros costuma vir marcada, e quase ninguém desmarca. Numa conta que analisei, quase metade da verba de uma campanha de Pesquisa estava indo para Display, com conversões vindas de sites de qualidade duvidosa.
O segundo é a região. O Google tem uma opção que mostra o anúncio para quem está na região e também para quem só demonstrou interesse nela, o que a central de ajuda do Google chama de presença ou interesse. Se o seu serviço vai até o cliente, quem está longe não pode ser atendido, e essa opção vira vazamento. Se o cliente vai até você, quem pesquisa de outra cidade pode ser lead válido. A decisão depende de quem se desloca.
Antes de julgar uma campanha de Pesquisa, separe o resultado por rede e por localização. O número total da campanha pode esconder exatamente onde a verba está sendo perdida.
Um caso publicado na página de gestão de tráfego pago mostra o efeito. Numa empresa de móveis planejados, 37% da verba rodava no YouTube, passando em TV, com 3 cliques em 90 dias. Com o YouTube zerado e a pesquisa refeita por tema e por região, os cliques de quem pesquisou planejados ou a marca foram de 133 para 947, comparando os 28 dias antes e depois.
O que muda quando o gestor cuida da Meta
Na Meta, o gestor passa menos tempo escolhendo público e mais tempo decidindo criativo e formulário. A plataforma encontra as pessoas sozinha a partir das conversões que recebe, então o trabalho é dar a ela o sinal certo e o material certo. O criativo que traz lead bom recebe verba; o que não traz sai em poucos dias.
O ponto fraco da Meta é a qualidade do lead. Como a pessoa não estava procurando, uma parte preenche o formulário por curiosidade. Por isso, nas contas que opero, o formulário faz perguntas que dão uma nota ao lead, e o comercial sabe quem chamar primeiro. Sem esse filtro, o custo por lead do painel parece ótimo e o comercial reclama de contato que não responde.
A região também pesa na Meta. Num caso de móveis planejados no interior de São Paulo, o lead custava R$ 16,79 no painel, mas separando os leads pelo DDD do telefone, só 14 de cada 100 eram da região atendida. O custo real por lead da região era R$ 121,39. Restringir o anúncio ao raio de cada loja derrubou esse custo para a faixa de R$ 19 a R$ 44.
Como o criativo é metade do resultado na Meta, vale pensar em como você vai produzir material novo todo mês. Quando o empresário não tem tempo de gravar, eu uso vídeos com o rosto e a voz dele gerados por IA, como explico na página do clone de IA. O gancho testado no anúncio decide o próximo vídeo.
Preciso de um gestor para cada plataforma?
Não necessariamente. O que importa é que a mesma pessoa, ou a mesma equipe, enxergue as duas contas juntas. Quando Google e Meta são cuidados por gente diferente, cada um defende o próprio número, e ninguém olha de onde veio o cliente que comprou. Pior: cada plataforma tende a contar para si a mesma venda, e somar os dois painéis dá mais clientes do que entraram de verdade.
O que resolve isso é medição comum. Tag do Google e pixel da Meta disparando no mesmo evento do site, parâmetros de origem (UTM) em todo link de anúncio, e o CRM ou a planilha registrando de qual campanha veio cada contato. O Google descreve a medição de conversões como o que mostra quais anúncios geram ações valiosas, e o pixel da Meta cumpre o mesmo papel no Facebook e no Instagram.
Hoje opero quase 40 contas, somando cerca de R$ 90 mil por mês em verba. Na apuração de setembro, a maior parte dessa verba estava na Meta, mas várias das contas rodam nas duas plataformas ao mesmo tempo. Não existe uma divisão certa para todo mundo; existe a divisão que o custo do lead que compra justifica em cada negócio. Se quiser entender o trabalho completo, comece pelo post sobre o que é gestão de tráfego.
Como dividir a verba entre Google e Meta
Quando o negócio vai rodar nas duas, eu sigo uma ordem que evita desperdício no começo. Ela não fixa percentual, porque o percentual certo só aparece depois de algumas semanas de dados.
- Medição primeiro. Nenhuma das duas recebe verba antes de a conversão contar contato real e não clique.
- Comece onde a intenção é maior. Se há busca pelo seu serviço, o Google entra primeiro, com as buscas de maior intenção e a região conferida.
- Meta com teste de criativo. Entram poucos criativos com ganchos diferentes, e o que não traz resultado sai rápido.
- Compare pelo lead que interessa. O custo que decide é o do lead qualificado ou do cliente, não o do painel.
- Suba em degraus. A plataforma que trouxe o cliente mais barato recebe mais verba aos poucos, sem passar do teto mensal combinado.
Esse cuidado com o custo do lead que interessa evita a armadilha mais comum: dar verba para a plataforma que tem o lead mais barato no painel. Num caso B2B publicado no site, o anúncio ativo trazia lead a R$ 7,20, mas custava R$ 38,63 por lead com verba compatível. Um anúncio pausado, de R$ 4,73 por lead, era o melhor da conta, a R$ 18,04 por lead qualificado.
Como escolher o gestor certo para começar
Se você já sabe que vai começar pelo Google, pergunte ao candidato como ele confere a rede, a região e os termos de pesquisa antes de colocar verba. Se vai começar pela Meta, pergunte como ele testa criativo e como filtra o lead. Em qualquer dos dois, pergunte como ele mede o lead que vira cliente. Juntei essas e outras perguntas no post sobre como contratar gestor de tráfego.
Na página de gestão de tráfego pago está como eu conduzo Google Ads e Meta Ads juntos, do diagnóstico à leitura semanal. Se você ainda não sabe por onde começar, o formulário de contato é o caminho para pedir um diagnóstico da sua conta antes de decidir a verba.
Perguntas frequentes
É melhor anunciar no Google ou no Instagram?+
Depende do produto. Se as pessoas já buscam o que você vende, o Google costuma trazer lead com mais intenção. Se o produto é novo ou visual e ninguém procura pelo nome, o Instagram, pela Meta, tende a funcionar melhor para criar interesse.
O que faz um gestor de tráfego Google Ads?+
Organiza as campanhas por tema e região, escolhe as palavras-chave, mantém a lista de termos negativos, confere a rede e a localização em que o anúncio aparece e acompanha qual busca traz o contato que vira cliente.
Dá para começar com as duas plataformas ao mesmo tempo?+
Dá, se houver verba para as duas aprenderem e medição comum entre elas. Com pouca verba, eu prefiro concentrar numa só, geralmente a de maior intenção, e abrir a segunda quando a primeira já tiver resultado medido.
Preciso de um gestor diferente para Google Ads e Meta Ads?+
Não é obrigatório. O mais importante é que alguém enxergue as duas contas juntas, com a mesma medição, para saber de onde veio o cliente que comprou e não contar a mesma venda duas vezes.
Google Ads funciona para negócio local?+
Funciona bem quando há busca pelo serviço na região. O cuidado é conferir a localização, os termos negativos e se a campanha de Pesquisa não está mostrando o anúncio também na Rede de Display sem ninguém perceber.
Fontes
Quer que eu olhe a sua conta de anúncios?
Começo pela medição e pelo lead que vira cliente, antes de mexer em verba.
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